Ficção provável de ser verdadeira

Informação importante


Antes de você ler esta historia, gostaria de alertá-lo que ela é uma obra de ficção,
levemente baseada em acontecimentos reais.
O fato dos personagens e a historia em si não serem reais, mas os locais onde
a trama acontece o sejam, não justifica dela não ser ficção.
Poderá então, acontecer que, ao lê-la, você pense que identificou
uma pessoa que você conhece então, advirto que,
mesmo que isso aconteça, será pura coincidência.
Acredite!

Capitulo I – O ministro

Duas horas da tarde, o telefone privado da secretaria da presidência toca e, a secretaria atende:— Presidência, bom dia.
— Bom dia, Cleide. Tudo bem? (Cleide é a secretaria de confiança do Presidente).
— Tudo bem, ministro. Foi bom que ligou. Eu tinha deixado um recado com a Gloria. (Gloria era a secretária, lotada no Ministério do Planejamento, de confiança do Ministro).
— Sim. É por isso que estou ligando. Parece que o presidente precisa falar comigo.
— É verdade.
— Pode transferir a ligação para ele.
— Farei agora. Só um minuto.

O ministro ouviu os barulhos típicos que uma transferência faz e aguardou. Depois de algum tempo, voltou a ouvir a voz da Cleide.

— Ministro! O presidente disse duas coisas: Uma, que não pode atendê-lo agora e outra, que, a conversa com ele, não pode ser feita por telefone.
— Sim, entendi.
— O presidente pergunta, se o senhor poderia vir aqui amanhã, às quatorze horas, para participar de uma reunião com ele e com outras pessoas?
— Com certeza. Preciso levar alguma coisa ou alguém aqui do ministério para dar informações?
— Pelo que entendi do presidente, ele quer que o senhor venha só. Presumo que, quando o senhor chegar para a reunião, será informado do assunto.
— Está bem. Fale para o presidente que estarei ai na hora pedida.
— Falarei, pode ficar tranquilo.

Antes que a secretaria terminasse, o ministro disse:

— Cleide, tenho um problema que você pode me ajudar.
— Sim, o que é?
— Estou em Curitiba, mas tenho tempo de conseguir um avião para aman….
— Ministro, desculpe se o interrompi.
— Sem problemas Cleide, pode continuar.
— O presidente já sabe que o senhor está em Curitiba, mas ele ordenou que não venha de avião de carreira por questões de urgência, pois não se pode confiar nestas companhias de merda que vivem atrasando e cancelando voos.
— Entendi…
— Por isso, já estou tomando providencias aqui na secretaria, para que um avião da FAB esteja à sua espera, as dez horas da manhã, no Bacacheri. (Bacacheri, é um bairro de Curitiba, onde existe um aeroporto da FAB que é usado para pousos e decolagens da própria FAB e também atende voos comerciais e particulares. Como o Bacacheri é um bairro que não é muito distante do centro e o aeropoto tem movimento limitado, fica conveniente de ser usado.
— OK, Cleide. Você sabe o tipo do avião que será enviado?
— Não sei porque, como lhe disse, ainda não está definido pois as providencias, foram recém iniciadas agora pouco.
— Caralho!
— Algum problema, ministro?
— Problema, problema, nenhum, mas tem uma coisa.
— Pode falar, por favor. – Cleide demonstrava uma certa pressa.
— Quando você me interrompeu, eu ia perguntar se era possivel a Gilda e mais quatro deputados federais aqui do Paraná, irem no mesmo avião amanhã.
— O que aconteceu?
— Por uma incrível coincidência, os cinco perderam um voo de hoje e, até agora, estão sem alternativa. Você conhece bem a Gilda. É foda porque, faz as besteiras e dai fica enchendo o saco para os outros resolverem o problema. (Gilda era a ex-mulher do ministro. No momento, ela é senadora da república e, junto com os 4 deputados, têm que estar amanhã em Brasília, para participar de uma CPI mista do Congresso, fundamental para a causa).
— Conheço bem a sua mulher. Quanto ao avião, não sei, mas vou ver, e depois retorno.
— Espero que faça isso, com tempo, para eu arranjar tudo aqui.
— Vou tentar. Caso a FAB não possa atender, a gente fala com o Celinho e ele resolve com algum jatinho dele. (Celinho é o presidente da maior empreiteira do país e tem diversos jatinhos onde cabem bem mais de 5 passageiros. Frequentemente, quando necessário, ele cede seus aviões para o governo, principalmente, quando não é conveniente usar os aviões da FAB. O Celinho sempre cobra estes e outros favores os quais são acertados junto com as planilhas de obras, que a empresa executa para o governo).

O ministro reparou que a Cleide, parecia ter muita intimidade com o Celinho e isso o preocupou porque, teve diversas passagens com o empreiteiro que faz com que ele, ficasse de pé atrás.

Na realidade, todos sabem que o ministro, tem ciúmes da amizade do Celinho com o presidente e, vira e mexe, os dois reclamam para o presidente que um incomoda o outro.

O ministro se queixa que o Celinho é mandão e quer impor as coisas no Ministério e o Celinho se queixa que o ministro é lerdo porque coisas que podem ser resolvidas num dia ficam, as vezes semanas em exame.

Neste devaneio, o ministro esqueceu que a Cleide estava na linha, esperando. Desculpou-se com ela e disse:

— Obrigado Cleide, fico no aguardo – desliga o telefone.

Na conversa, o ministro estava de frente para uma janela enorme, admirando a paisagem de uma boa parte de Curitiba. Depois de desligar o telefone, sabe-se lá porque, talvez por saudades, o ministro lembrou quando comprou o imóvel.

Isso aconteceu quando a Gilda foi eleita senadora porque, com ele ministro, e mais com o que a Gilda iria ganhar no Senado, seria possível vender o apartamento de segundo andar que tinham e comprar outro numa área mais nobre de Curitiba, de preferência de cobertura. Não foi fácil, mas com muito trabalho, esforço e poupança, eles realizaram o sonho.

O prédio tinha 30 andares e a cobertura comprada era a de face norte. Foi ele quem fez a questão de escolher quando fez a compra, exatamente pela posição do sol, porque ele gostava de sol, de segurança e de privacidade. Com pesar, lembrou que atualmente, apenas a mulher dele vivia ali, junto com seus três filhos.

Os pensamentos dele, foram interrompidos, quando Gilda, que havia saído da sala, resolver voltar inesperadamente.

— Com quem você falava, Jandir? – perguntou ela? (Jandir é o primeiro nome do ministro. Ele não gosta deste nome. Prefere que usem o Cézar, que é seu segundo nome ou, o chamem de ministro. A Gilda sabia disso e sempre o chamava de Jandir, só para vê-lo estressado).

Jandir foi um dos primeiros a ser nomeado pelo presidente logo após a eleição. Ele tinha a promessa do presidente que seria ministro e ela foi cumprida.

Ele é pessoa de confiança do presidente, há muito tempo. Ambos eram e ainda são filiados ao partido, que ajudaram a fundar e estão juntos desde então.

Com a fala da mulher, Jandir interrompeu seus pensamentos para respondê-la.

— Eu liguei para a Cleide porque recebi um recado que ela precisava falar comigo.
— O que a vaca queria?

Ao ouvir isto, Jandir deu um sorriso de satisfação. Ele adorava quando a Gilda sentia ou dizia que sentia, ciúmes dele.

— O presidente quer que eu esteja em Brasília amanhã, as quatorze horas para uma reunião.
— Será que é sobre aquele assunto?
— Não creio, porque a Cleide disse que mais pessoas participarão da reunião.
— Ela esta colaborando agora?
— Sim está, agora o esquema ficou redondinho.
— Foi bom eu ter tido aquela conversa com ela, sobre a questão dela arrastar o rabo para o teu lado. Ficou pior quando ela soube que eu sabia do amante que ela tem. Dai afinou e entendeu que precisa tomar cuidado em nos informar tudo que acontece na presidência.
— Pois é, Gilda. Vamos aguardar. Falar na viagem, pedi para a Cleide conseguir espaço para você e os deputados no avião, amanhã.

O ministro, sentou no sofá, pegou o celular e ficou vendo suas mensagens enquanto isso, Gilda sentou em outro sofá, do outro lado da sala enorme e fez o mesmo.

Eles já não conversavam porque não tinham assuntos para tratar. Se não houvessem dois vínculos, não se veriam mais. Um dos vínculos era os três filhos e outro era o fato de ambos serem políticos e estarem no mesmo partido há muito tempo então, são históricos.

Pensar que eles foram casados por 15 anos e de repente, por uma série de razões, a coisa acabou de forma abrupta dói um pouco no ministro que, antes, não queria acabar. 

Passado algum tempo, o telefone do ministro tocou. 

Na telinha ele viu que, quem estava ligando era o Celinho.

O ministro não gostaria de atender, mas lembrou-se que podia ter algo a ver com a viagem pois a Cleide havia citado que, talvez o Celinho fosse necessário então, meio a contra gosto pensou, atendeu.
— Olá, meu amigo – disse o ministro – tudo bem por ai? 
— Sim, tudo tranquilo. 
— O que posso fazer por você? 
— Seguinte. A Cleide me ligou a respeito de trazer você e mais algumas pessoas para Brasília. 
— Há sim. Ela me disse que estava tentando a FAB, mas que, caso ela não pudesse atender, falaria contigo então, pelo jeito deve ter falado.
— Falou sim então, estou ligando para confirmar. Pensei em dormir em Curitiba e nos encontrarmos à noite para conversarmos. O que acha?
— Seria bom, mas é impossível porque sou padrinho de um casamento e vim pra cá por isso. O casamento acontece hoje às 8:30 e, como são os casamentos, a coisa vai longe. 
— Que pena! Em todo o caso vou do mesmo jeito. Tenho amigos ai na cidade e vou marcar alguma coisa. O casamento que você vai, acontece onde?
— É num sitio no município de Araucária, perto de Curitiba. Deve dar uns 40 quilômetros se muito. 
— Entendi. Parece que a Gilda e mais 4 pessoas virão junto conosco para Brasília. É isso?
— Sim. Eles perderam o voo hoje de manhã e agora, para tentar ajudar, tive que pedir para a Cleide enquadrá-las no voo da FAB. Sabe como é, tem que avisar quantas pessoas irão e etc. Milico é cheio de regulamentos. controles e burocracia. 
— É verdade – disse Celinho – Sabe que já me queixei disso para o presidente porque, sempre que estou assessorando, os ministérios nas coisas de nosso interesse, viajo de FAB e é essa merda. Outro dia, me incomodaram porque levei a Marina comigo e não avisei. (Marina é uma amante do Celinho que é meio permanente). Porra, me irritou muito. Cheguei a ligar para o ministro da defesa, e ele resolveu a coisa. 
— É mas já mudou, porque o presidente deu uma bronca no ministro da defesa o qual, conversou com o milico chefe da Aeronáutica. A partir do mês passado, todos os voos da FAB que são de interesse do executivo, têm prioridade, seja o que for.
— Disseram pra você que, além de nos dois, tem mais 5 penetras? 
— Sim, estou sabendo. Não tem problemas, vou de Phenom, que é um avião de bom tamanho e muito seguro. Cabemos todos.
— Conheço esse avião. Fui naquela viagem para Cuba quando houve a negociação do porto. 
— Há sim, é verdade, você estava junto e fez um excelente trabalho com os cubanos. Gentinha difícil aquela. São todos bandidos imorais. Lembra do bacanal? Meu Deus, meninas de 12 a 13 com todo aquele conhecimento, foi de matar.
— Hi, rapaz, nem me lembre. Fiquei horrorizado também, mas fazer o que? Cavacos do ofício, como dizem.
— É verdade, então, estou pensando em sair dai as 7 horas da manhã. Tudo bem para você?
— Sim, sem problemas. 
— Quer eu te leve ao aeroporto?
— Não precisa não. A casa onde moro hoje, é bem perto do aeroporto.
— Outra coisa, a reunião com o presidente é as três horas da tarde?
— Sim. A maior parte das reuniões é as três. O presidente tem aquele problema então, raramente ele faz reuniões antes disso.  
— Ok, estamos combinados., Você avisa a turma toda ai? 
— Com certeza, vou planejar a viagem afinal, sou ministro.
Ambos riram e fizeram alguns comentários sobre a brincadeira. Pra terminar a conversa, o  ministro disse:
— Nos encontramos a amanhã. Obrigado por ter ligado. – desligou o telefone. 
“Filho da puta” – pensou o ministro – “Ele quer me tirar informações sobre a reunião de amanhã. Mal sabe ele que eu também não sei de nada. Foi marcado as 2 horas da tarde comigo e as 3 com ele. Isso quer dizer que o presidente quer falar comigo primeiro. Por que será?”. 
Pelo seu lado o Celinho pensou – “Corrupto, vagabundo e mentiroso” – “não tem casamento algum. Ele não tem a mínima ideia que a Cleide é gente minha. Eu sei bem, porque ele veio para Curitiba. Amanhã, no voo, conversarei com ela. Tenho uma carta na manga”. (Celinho ou, Celio Marastrano Junior, é o presidente da maior empreiteira do pais, a Solbest Engenharia S/A. Como ele é o herdeiro único porque, não tinha irmãos e a mãe morreu poucos anos atrás, Ele herdou sozinho a enorme fortuna criada pelo pai. Herdou também, parte da habilidade que o Celio pai tinha, que era saber como negociar projetos de engenharia com os governos brasileiros de vários paises e ficar rico com isso).

O ministro não lembrou que a Gilda estava na sala, um pouco distante, mas estava e, ela ouviu a conversa. 

— Que casamento é esse? – ela perguntou.
— Não há casamento. Falei apenas para me livrar do assédio do bandido.
— Provavelmente, ele está tentando tirar informações sobre a reunião de amanhã.
— Com certeza. Eu sei pouco sobre o que o presidente tem a falar conosco, mas tem uma coisa: O presidente vai botar no rabo dele então, das obras prometidas acho que não vai sair nem a metade. Principalmente as do exterior que ele vem enchendo o saco há tempos. O presidente não perdoou o que aconteceu em Cuba. 
— Acho que ele consegue reverter. Será que não? 
— Difícil, já tem 2 empresas na parada., acho que ele vai se ferrar.
Jandir parou um pouco para pensar e, de forma cuidadosa, disse:
— Vou precisar de você, espero que concorde me ajudar. 
— O que é? 
— O bandido vai tentar me abordar durante o voo já que, de Curitiba a Brasília, temos quase duas horas. Ele quer porque quer me apertar pensando que tenho informações que não posso revelar. 
— Você tem as tais informações?
— Sim, tenho e pode ser uma bomba pra cima dele, mas me parece óbvio, não posso revelar e sequer deixar escapar alguma coisa que ele possa deduzir. 
— Não entendi como posso ajudá-lo porque, se ele começar a pressionar para você se abrir, basta dizer “não” e pronto. Você complica demais as coisas.
— Não é bem assim porque o cara é insistente, argumenta bem e, de repente, pode me pegar numa mentira e podemos ficar estremecidos. Não quero que isso aconteça porque tem alguns assuntos, que vou precisar dele,  no futuro principalmente se o presidente fizer com ele o que pensei. 
— O que você pensou?
— Desculpe, querida, não posso comentar porque, ainda existem partes do todo, que não estão muito claras.
— Não se preocupe, vou ajudá-lo, também não vou com os cornos desse cara.  
— Combinado, então. Vou embora porque tenho coisas para fazer que não é me arrumar para um casamento. Até amanhã, no aeroporto. 
— Um momento, aquilo de te ajudar, tem um preço.
— Preço. O que é isso? 
— O preço é você dormir aqui hoje, para matarmos saudades.
O ministro olhou para ela de cima a baixo e mostrou uma certa irritação com o convite.
— Saudade? O que é isso? Piada?
— Não é piada. Eu preciso de você. 
— Não vou dormir aqui e você sabe que não. Não faça teatro com essa coisa de saudades e que precisa de mim. Só vim aqui hoje, para dar uma olhada nas crianças e está acabado.
— Eu pensei que…
— Não pense. Tudo o que você precisa, está em São Paulo. Desfrute.
— Que merda. Vou ter que ouvir isso até quando?
— Aguente, ora. Se fez a merda, agora aguente. Quanto a mim já estou em outros caminhos.
— Sim eu sei. Na verdade você já estava em outros caminhos há muito tempo e pensava que eu não sabia.
— Vamos encerrar essa conversa.
— Mas…
O ministro ignorou a interrupção…
— Amanhã – disse ele – o Ciro passa por aqui para pegar vocês todos. Combine com os deputados para virem para cá e esperarem a chegada dele. (Ciro é o motorista que presta serviço para o partido e fica a disposição do ministro quando ele está em Curitiba. Na realidade, ele é um servidor federal, mas está emprestado para o partido aqui em Curitiba).
Para enfatizar a ordem dada, o ministro olhou bem nos olhos da Gilda e disse:
— Veja bem, o Ciro está me esperando ai embaixo para me levar pra casa então, vou instrui-lo para pegar vocês às 5.30 horas da manhã.
— Está bem. Não vejo problemas nisso. 
— Lembre-se que ele não vai pegar ninguém em suas casas e terá ordem para não esperar ninguém, se existir um  que esteja atrasado, que se foda, porque ficará aqui.
— Entendi – disse a decepcionada Gilda – E você? Como fará?
— Estou lá perto do Aeroporto e tenho quem me leve.
— Deve ser uma mulher. Essa não conheço.
O ministro fez de conta que não ouviu e tentou sair. Tinha muito o que fazer e não queria discutir com ela. Ele riu consigo mesmo, quando a Gilda disse que não conhecia a mulher. “Quando ela souber…” – pensou ele…
Antes que o ministro pudesse abrir a porta, Gilda segurou ele pelo braço e disse;
— Lembra daquele sofá lá do canto?
— Sim, o que tem ele?
— Lembra-se quantas vezes você me comeu lá?
— Ora, isso é coisa do passado.
— Vamos lá, quero te mostrar uma coisa – e, ato contínuo, o pegou pela mão e o levou até o sofá.

Jandir, curioso como sempre, se deixou levar e quando viu, Gilda já tinha soltado o cinto e aberto a braguilha da calça dele. Ele fez que não queria, mas era tarde porque, de joelhos em frente dele, ela já estava matando as saudades, como disse que queria.

Para ambos, o passado voltou rapidamente e ele não resistiu mais, pelo contrário, tomou as  rédeas da coisa e se dispôs a fazer o que ela queria e, matando ou não as saudades, ficaram mais de um hora tentando que acontecesse.

Passado um tempo, os dois vestiram a roupas e, quando acabaram, o ministro disse:
— Você continua a mesma.
— Você quer dizer a putona de sempre? 
— Sim, descarada, mas como sempre, uma puta competente. Agora, preciso ir. Estou atrasado para um compromisso. 
— Eu também tenho um compromisso a cumprir.

Se cumprimentaram e o ministro foi embora e, depois que ele saiu, Gilda pegou o celular e ligou para um numero que estava na sua agenda, com o nome de Dr. Flavio. O telefone tocou e alguém atendeu.

— Olá gostosa. Tudo bem?
— Sim, algumas coisas estão bem outras não, mas dá pra levar. 
— Me diga uma coisa, o Jandir esteve ai hoje?
— Esteve, veio para ver os filhos, mas já foi embora. 
— Vocês conversaram?
— Um pouco. 
— Porra Gilda. Esta economizando palavras? Você tem algo pra me dizer? 
— Se tenho ou não, pelo telefone não é conveniente. Você já está em Curitiba?
— Chego dentro de 2 horas e meia.  
— Entendi. 
— Você tem algum compromisso aqui?
— Pensei que tinha, mas o idiota do teu marido me deu o bolo. 
— Marido, não, ex-marido.
— Esta bom, ex-marido.
— Se não tem compromisso então, venha aqui pra casa? Não seria bom?
— Bom seria porque faz um tempão que não te dou um trato gostoso, mas não dá. Se alguém nos ver aí é perigoso.
— Pode ser mesmo.
— Vamos fazer o seguinte: Quando eu chegar, te passo um WhatsApp e envio um endereço seguro que tenho aí em Curitiba e dai nos encontraremos. 
— Combinado., querido. Não vejo a hora de trepar com você. Tenho saudades disso.  
— Está bem, venha usando aquela lingerie púrpura que te dei.
— Farei isso com muito amor. 
Ambos desligaram o telefone. 

Capítulo II – O empreiteiro

Logo depois da Cleide ter falado com o ministro, o telefone toca e ela atende.
— Presidência, bom dia.
— Bom dia, Cleide. Tudo bem?
— Tudo bem, Celinho. Foi bom que ligou. Eu tinha deixado um recado com a Marisa (Marisa era a secretária principal da Solbest Engenharia S/A, e era quem cuidava dos assuntos do Celinho. Ela já estava mais de vinte anos na empresa e, depois de contratada, não demorou para subir na hierarquia. Com isso, despertou o interesse do Celio pai, que a trouxe para trabalhar diretamente com ele. O Celinho também herdou isso).

— Sim. É por isso que estou ligando – disse o Celinho.
— É verdade.
— Você pode transferir a ligação para ele.
— Não posso. O presidente não pode atender porque tem uma serie de compromissos com pessoal que veio de fora.
— Esse pessoal veio de onde?
— Desculpe, não estou autorizada a dar esse tipo de informação.
— Sim, entendi. Liguei agora porque foi a teu pedido.
— Com certeza. Eu liguei para falar consigo sem sucesso então, deixei o recado à Marisa e agora, estamos conversando.
— Está bem, porque precisa falar comigo então?
— O presidente pergunta, se o senhor poderia vir aqui amanhã, às quinze horas, para participar de uma reunião com ele e com outras pessoas.
— Posso sim. Estou em Goiânia e daqui à Brasília, é um pulo. Quem mais, vai participar dessa reunião? Qual é o assunto?
— Sobre o assunto não tenho informações. Quanto quem vai participar, até agora, que eu saiba é o Presidente, o ministro do Planejamento e o senhor, que acaba de concordar.
— Cleide, me diga uma coisa. 
— Pode falar.
— Você marcou a reunião com o ministro do planejamento?
— Falei com ele agora a pouco.
— Para que horas está marcada a reunião dele com o presidente?
— Na mesma hora sua.
— Cleide! Ora, me diz vai. Em nome da nossa amizade.
— Está bem, Foi para as catorze horas. 
— Diga para o presidente que estarei ai na hora pedida.
— Sim, pode ficar tranquilo.

Antes de desligar, Cleide disse:

— Eu preciso da sua ajuda;
— Sim, o que é?
— O Ministro do Planejamento está em Curitiba e, como o presidente, não quer que ele use avião de carreira, combinamos que eu enviaria um avião da FAB para buscá-lo, mas não deu certo, então você pode ajudar enviando uma aeronave para buscá-los?
— Sem problemas, só que tenho que estar em Brasília, o mais tardar ao meio dia. Se você quiser, posso ligar para o ministro e combinar tudo com ele.
— Se você fizesse isso para mim, seria muito bom.
— Combinado, mas pergunto, o que mais de bom posso fazer pra você? 
— Muita coisa, muita coisa, querido. Falaremos outro dia, sobre isso. Você vai falar com ele, então? Posso sair do circuito?
— A poeira já baixou? 
— Muito, muito mesmo. Conversaremos. 
— Sim, sem problemas. Hoje vou dormir em Curitiba e amanhã cedo, lá pelas 7 horas, estaremos voltando pra Brasília com todo mundo, antes converso com o Jandir. 

A conversa terminou e os telefones foram desligados. “Então – pensou Celinho – o filho da puta do presidente quer conversar sozinho com o Jandir. O que será que estão tramando?”.

Não se pode descuidar do Celinho porque ele conhece todas as nuances do poder em Brasília e na pratica, em todos os estados do pais, principalmente, quando este poder não é sério como hoje, quando o volume de negócios inexplicáveis dentro do governo aumentou muito e o dinheiro rola.

Celinho é, na verdade, a cereja do bolo para quem está no governo disposto a “ajudar” o desenvolvimento do pais o qual precisa de tudo, principalmente de grandes obras e quanto maiores, melhor.

Por essa razão, dependendo da situação e do volume de interessados a participar do butim, ele acaba tendo mais poder do que aqueles que o têm, porque eleitos foram e têm que mostrar transparência. 

Tudo bem – pensou o empreiteiro para si mesmo – amanhã é um novo dia. Como prometido, ele liga para o Jandir e combina a viagem. 

Como tinha tempo, preparou uma bebida, sentou no sofá e ficou pensando na conversa que teve com a Cleyde.

Ela é o tipo de mulher que consegue atrair qualquer pessoa que a veja. Tem um corpo fantástico porque, tem pernas altas e bem torneadas, seios protuberantes. no tamanho adequado que, juntamente om cintura fina, forma um conjunto altamente sensual. Ela sabe disso tudo e adora quando, a homarada fica olhando pra ela. de forma gulosa. 

Quando  Celinho a viu pela primeira vez, pensou em levá-la para a cama o quanto antes. Ele precisava fazer isso e, pra ele, era coisa incontinente e inadiável. Por outro lado, imaginou que não seria tarefa fácil principalmente, quando descobriu que ela era casada com uma pessoa que trabalha no ministério das minas e energia. Na época, pensou pra ele mesmo que, com uma mulher dessa, ter energia é fundamental. Riu muito, mas não conseguiu segurar a inveja do maridão dela.

Ao contrário do que pensou, não foi tão difícil conquistá-la e o melhor foi que, os resultados obtidos, foram incríveis, tal o comportamento da Cleide na relação que tiveram. Pensa, pensou Celinho, que não durou muito porque, alguém descobriu, e a ameaçou contar tudo ao marido. 

— Entenda querido – disse a Cleide – temos que dar um tempo até a poeira abaixar. A cadela que me pressionou em contar para o Joaquim, sabe que tenho alguém, mas não sabe quem é esse alguém. Até hoje, não sei porque ela fez isso? Tive que ceder um pouco na chantagem que me fez.

Toca o telefone. Celinho olha a tela e vê que a ligante é Gilda de Assis Macbert, a ex-mulher do ministro.

Zilda é uma velha conhecida. É uma pessoa sem escrúpulos e sem limites sob praticamente, todos os aspectos com os quais se define o perfil de alguém imprestável.  

Celinho teve um caso com ela quando ainda era a mulher do Jandir. Ele a usou como informante mas pagou alto preço por ela não ter princípios, ser difícil de suportar e conviver, mesmo quando se trata de sexo onde ela desce ao fundo do poço. 

Todavia, é uma mulher perigosa e ele, pelo que faz na vida, não pode provocá-la porque, quando rejeitada, deixada de lado ou não atendida no que quer, é encrenca certa e pior, é seguida de vingança quando se sente prejudicada, por qualquer coisa, seja pelo que for. 

Celinho pensou em não atender o telefone mas, curioso sobre o que ela queria falar pra ele, acabou atendendo. “Que vai ser sacrifício, vai”- pensou ele – “Fazer o que, afinal trabalho é trabalho”.
— Olá gostosa. Tudo bem?

Capítulo III – A viagem

No dia seguinte, Jandir foi o primeiro a chegar no aeroporto. Eram quase 6 horas da manhã. 
— Não precisa descer, amor – disse o ministro para a mulher que estava ao volante. 
— Por que não? Esta cheio de vagas aqui e posso estacionar. O voo não é a 7 horas?
— Sim, mas não precisa porque o check-in já foi feito então, vou entrar direto para a sala de embarque. Não gosto de ficar na recepção porque, de repente, sou reconhecido e ai complica. 
— Está bem, você que sabe. Quero meu beijo. 
O ministro se aproximou dela para beijá-la e ela se antecipou, beijando-o com enorme volúpia e com mãos apalpando o apalpável. Depois que o ministro, até meio encabulado, se movimentou para sair ela parou e disse:
— A cadela vagabunda está ai, não.
— Não está, mas se estiver não está comigo.  
— Tenho nojo dessa mulher e sequer imagino vocês se beijando. 
— É passado, Neusa.
— Está bem. Tenha uma boa viagem amor e pense em mim. 
— Pensarei, pensarei, fique tranquila. 

O ministro desceu do carro e foi direto para o salão de embarque VIP e ficou à espera. Chegando lá, desligou o celular e se pôs a pensar nos últimos acontecimentos. 

Tudo o que ele disse pra Gilda sobre o Celinho, a reunião com o presidente e o que ele pensa em fazer para o Celinho, ele inventou na hora por duas razões.

A primeira é a desconfiança sobre a Gilda, e não é de hoje, de que há podridão nas relações dela com o empreiteiro.

Outra coisa é que os “sem escrúpulos”, os “sem limites” e as “ganâncias” que permeiam o perfil dela, enquanto pessoa humana, são bem capazes de fazer com que ela o tenha traído quando foram casados. Pior que isto não aconteceu apenas sob o ponto de vista sexual, porque ela deve ter passando ao Celinho, informações privilegiadas do governo em troca de favores por parte dele, os quais, diga-se de passagem, não foram só sexuais.

 A ideia de inventar o que disse à Gilda, tinha duas razões em relação ao Celinho: A primeira, caso a Gilda faça o que ele imagina que fará, é instigá-la para, imediatamente, contar ao Celinho o que ouviu. A segunda, é botar caraminholas na cabeça do empreiteiro, deixando-o preocupado e enfraquecido na reunião. 

+++ Já o pedido que fez à Gilda em termos de comportamento durante a viagem, tem o propósito de preocupá-la no sentido de não poder risco em deixar escapar alguma coisa. “Tenho certeza” – disse ele para si mesmo – ” que ela irá dormir a viagem toda”. Riu muito disso e até foi notado por um homem que estava sentado próximo a ele. 

Celinho foi o próximo a chegar e vendo o Jandir, se aproximou dele, sentando numa cadeira ao lado.

— Como está amigo – disse o Celinho.
— Estou ótimo.
— Que bom. Como dizia Jô Soares: A pessoa mais chata que existe é aquela que, quando você pergunta como ela está, a danada explica. 
Ambos riram e concordaram com a piada. 
— Sabe – disse o empreiteiro – estou curioso com essa reunião das 3 horas com o presidente. Não tenho a mínima ideia do que seja. 
“Puta que o pariu” – pensou o Jandir – O cara já chega de sola então, com cuidado e olhando bem para o homem, para não deixar escapar um gesto sequer, ele respondeu:
— Eu não estou preocupado porque confio no presidente e só espero coisas boas dele.   
“Falso lazarento” – pensou o Jandir – “nunca foi isso porque, tanto ele como a ex dele já trairam o presidente e quem, confia não trai”. 
Para provocá-lo um pouco e fazer com que fique mais preocupado e, já contando do fato da Gilda ter dito tudo pra ele, Jandir disse:
—  Faz tempo que não falo com o presidente porque ele esteve fora. O problema é que, quando ele viaja, volta com um monte de ideias na cabeça e ai dá um trabalho danado. Por outro lado, isso é muito porque as coisas ficam agitadas. 
“E um monte de dinheiro de propina entra ” – pensou o Celinho, para complementar a frase dita pelo ministro. 
— É verdade, até onde sei, voltou no domingo e hoje, terça-feira, já está acelerando.   
— Particularmente, acho que ele quer tratar sobre os projetos externos. Deve ter dito alguma informação. Digo isso, porque ele tinha mandado eu botar o pé no freio, mas não disse por quê, então esperei.   
— Acompanhei o início disso, mas a coisa não andou. 
— O que aconteceu em Cuba no ano passado, atrapalhou muito.
“Pronto” – pensou Celinho – “este animal sabe de alguma coisa que eu não sei, porque a questão Cuba, já era passado”. Celinho resolveu não comentar então puxou conversa de assuntos triviais. 

Falaram de muita coisa menos de politica e o tempo passou rápido até que os outros passageiros chegaram. 
Isso aconteceu quase meia hora depois.   

Ambos levantaram para recebê-los, como manda o manual. Gilda deu um beijo na face dos dois e o Jandir, como estava atento, percebeu que o beijo dado ao Celinho foi um pouco diferente do dele, por ser precedido de olho no olho e de um leve sorriso de ambos. 

Os deputados cumprimentaram primeiro o ministro com uma certa deferência e depois cumprimentaram o Celinho de forma normal. O Celinho conhecia todos eles sabiam que, quem tinha o cofre era o empreiteiro. Depois disso fizeram um grupinho isolado e ficaram conversando entre eles.

“Isso é coisa de paranaense – pensou Celinho – eles sempre fazem isso, e até hoje ele não sabe se o fato de se afastarem e ficarem num mundo particular, é arrogância, insegurança ou timidez incontrolável. 

Celinho disse:

— Que bom que já chegaram porque já passava um pouco das sete horas – disse o Celinho.
— Pois é – disse Gilda – o trânsito, mesmo a essa hora, já estava puxado. 
— Vamos então?
Ouviu-se um uníssono “sim” e foram todos para o portão de embarque e, em seguida, entraram no avião. 

O Phenom 300 é um jato construído pela Embraer. É uma aeronave de pequeno porte, alta performance, conduzida por apenas um piloto mais vendida mundialmente, Tem capacidade para transportar entre sete a dez passageiros, com todo o conforto. 

O ministro e a Gilda, possivelmente, já conheciam o jatinho então procuraram se instalar para a vigem e pronto, mas um deputado que não conhecia o aparelho, se dirigiu ao Celinho:

— Lindo o seu avião. Ele deve ser rápido, não?
Celinho já deve ter respondido uma enormidade de vezes este tipo de pergunta, mas foi o mais gentil que pode, porque nunca se sabe até onde pode chegar um deputado na careira politica. Em politica, não se pode subestimar quem quer que seja. isso é uma regra na Solbest S/A. 
— Esse aqui é o modelo 300 e, no mercado que ele disputa, é o mais rápido do mundo. Não sei se sabe, é fabricado pela brasileira Embraer.
— Pela Embraer? Eu não sabia que ela fabricava aviões desse tipo. Pra mim é novidade. 
— A Embraer é uma empresa que tem qualificação técnica para produzir vários tipos de avião, vende-os no mercado mundial e é bem reconhecida. 
Dai veio a pergunta de sempre:
— Quanto custa um brinquedo deste?
Celinho quase mandou ele à merda, mas segurou. não valia a pena. 
— Alguns milhões…
— Alguns, quanto?
Neste ponto Gilda, vendo que Celinho não quer responder e como ela conhece bem deputado, interviu:
— Eu diria, deputado, que é mais ou menos o valor que você ganha no ano. 
— Quem me dera – disse o deputado – mas…
— Deputado – disse Gilda interrompendo – deixa pra lá, vamos mudar de assunto, já iremos levantar voo. 
O ambiente ficou meio pesado até que, outro deputado fez uma brincadeira qualquer e todos riram. 

O jatinho alçou voo e, rapidamente chegou na velocidade de cruzeiro. dali a um tempo, o piloto foi até o grupo e disse:

— Nosso voo tem tempo previsto de 2 horas e trinta minutos para pousar em Brasília então, podem ficar à vontade e se quiserem uma bebida, o bar está ali à frente e à disposição. 
— O que lá pra beber- disse o deputado inquiridor do Celinho – acredito que lá tem muita coisa.
— Sim, o bar é bem servido. 
— Então, traga qualquer coisa pra mim. 
— Desculpe, mas não posso fazer isso e, mesmo que pudesse, não conseguiria trazer qualquer coisa. 
— Mas…
Gilda o interrompeu:
— Deputado – disse ela – venha comigo e iremos até o bar para pegar algo que queira.
— Não posso porque, esse sujeito ai, larga o avião voando, vem aqui pra trás e quer tomar uma bebidinha.
— Deputado – continuou Gilda – ele não veio aqui para uma bebidinha…
— Não importa, tenho medo de sair daqui porque, vai que o avião freie, vou me amontoar lá na frente.
— Esse risco não existe – disse Gilda, agora já com a paciência esgotada – eu trago sua bebida. O que quer?
— Eu já disse, quero qualquer coisa. 
— Qualquer coisa, não tem então, não vou trazer nada. Certo?
— Não dá pra entender. O piloto diz que tem muita coisa lá e agora, vem a senhora, e diz que não tem nada? Ora. Entendi, traga nada. 

Gilda ainda pensou em rebater, mas parou e voltou a sentar. Em seguida ministro levantou de onde estava e sentou ao lado dela.
— Se você tivesse dito que o rola-bosta viria junto, eu proibiria  (Rola-bosta é o apelido do deputado João Francisco Besouro., por isso, o apelido. É o primeiro mandato dele que foi eleito pelo povo, exatamente por ser o que é. Ele questiona tudo, contra todos. É uma figura estranha).   
— Por isso, eu não disse. Acontece que fui encarregada pelo partido para orientá-lo, logo eu que não sou prendada para ser professora. Fazer o que? 
Rindo muito, o ministro disse:
— Boa sorte. Por outro lado, esse cara ai vai ajudar. Veja como o Celinho está puto então não vai me incomodar.

O ministro tinha razão porque Celinho, se voltou para a parede do avião e pegou no sono dormindo a viagem toda. O único que não dormiu foi o vira-bosta afinal, tinha muita bosta ali para ele mentalmente virar.  

Quase passado o tempo de voo, o piloto avisou, via rádio, que faltava 15 minutos para o pouso, sugerindo que apertassem os cintos. feito isso, mais um tempo, e o avião pousou no aeroporto de Brasília e taxiou para chegar no local marcado pelo operadores de pátio. 

Era um pouco mais de meio-dia quando todos desceram e, como estavam próximo da área de desembarque, seguiram a pé até ela. No caminho Celinho disse ao ministro:

— Tem transporte ai?
— Sim, a Gloria já providenciou. 
— Dá uma carona? 
— Eu vou para o ministério, depois vou comer alguma coisa e, em seguida para a Presidência. 
— Por que a pressa, a reunião não é às 3 horas? O que acha de almoçarmos juntos?
— Sim, a reunião é as três e pra mim, está corrido para chegar nesse horário. Não vou almoçar, farei um lanche lá no ministério mesmo, enquanto despacho, com a Gloria. Logo em seguida irei para a presidência, porque tenho um assunto para tratar com o Alcides.  
— Alcides? Quem é ele? 
— É um dos assessores do presidente. Preciso saber da agenda com a CF, para mandar preparar um material que o presidente quer. Ele me ligou lá de fora, para tratar disso e disse para procurar o Alcides. 
— Entendo. Então vou almoçar com calma, até as 3 tem tempo. Pra Gilda e os deputados, deve ter alguém esperando e, pra falar em deputados, que cara burro aquele que me encheu o saco.  
— Ele é o vira-bosta. Você sabe como é. Primeiro mandato e cultura zerada., é o que dá. 
— É verdade. Tive a ponto de jogar ele fora do avião. 
— Eu também – disse o ministro – o partido está muito preocupado com ele porque, o cara é maluco e está fazendo um monte de merda, o tempo todo. Outro dia, porque falou demais, a oposição criou o maior caso para o presidente do partido que teve que se explicar.  
— E por isso que o apelido dele é vira-bosta?
— Não, não é. O apelido, é porque o sobrenome dele é Besouro.  
— Há sim, bem bolado. Será que não seria conveniente suicidar o cara? 
— Não sei. O problema é do partido então, não me meto.  
— Uma coisa é certa, outra vez que ele subir num avião meu, mando alguém jogar o filho da puta lá de cima.

Aos risos, se despediram, se abraçaram e se afastaram, um pensando mal do outro e vice-versa.  

Capítulo IV – A reunião das catorze horas.

Quando era uma hora e 30 minuto, o ministro do Planejamento do Brasil, entrou na secretaria da presidência. Como a secretária chefe de lá, Cleide, já tinha sido avisada, ela, ao ver o ministro, levantou-se e foi até ele.

— Boa tarde, ministro. Fez boa viagem?
— Sim, muito boa.
— O jato do Celinho é top. Já viajei nele.
O ministro pensou; “Quando foi que ela já viajou nele? ” e quase perguntou pra ela, mas pensou bem e não fez isto porque tinha muita gente por perto que poderia entender mal a coisa.

No entanto, o ministro não percebeu que ela, inteligente como é, pegou a coisa no ar e que isto a deixou preocupada: “Cleide, sua burra. Precisa aprender a ficar de boa fechada. Logo com quem você foi fazer besteira”.

O ministro chegou mais perto dela e disse em voz baixa, quase sussurando:

— Tem algum lugar por aqui, para a gente conversar?

Ela não foi pega de surpresa porque percebeu que o ministro tinha desconfiado de alguma coisa, porem, ela agora tem duas alternativas.

Se aceitasse conversar agora, poderia não ter respostas adequadas, pela falta de tempo para refletir, o que plderia ocasionar respostas erradas que a complicariam.

Por outro lado, se dissesse que agora não dava para conversarem, poderia confirmar as suspeitas dele e isso seria desastroso principalmente, porque ela sempre esteve à disposição e agora, diante de uma provável dúvida, não quis atendê-lo.

Enquanto ele pensava no que ia dizer ao ministro, ela foi literalmente, como se diz em boxe, salva pelo gongo porque, uma auxiliar chegou até ela e avisou que ela tinha uma ligação importante. Se dirigindo ao ministro, disse:

— Ministro, vou atender a ligação porque a estou esperando e depois falaremos. Em seguida, já vou avisar o presidente que o senhor já chegou e ele, provavelmente, mandará que o senhor entre.

O ministro olhou firmemente nos olhos dela como quem está esperando explicações.

— Esta bem Cleide. Depois falamos.

Ela virou de costas para ele e se afastou devagar, usando tudo o que foi possível fazer nele, com o andar admirável que tem. Ela sabe muito bem os efeitos que obtém com isso e agora, ao dar uma olhadinha para trás, viu que acertara o alvo.

Realmente, o ministro ficou como ela pensou que ele ficaria ao vê-la desta forma, porém, o ministro foi um pouco mais longe, porque imaginou ela andando de costas para ele, mas completamente nua, como ele já vira muitas vezes nos encontros que tiveram.

Em seguida, o ministro voltou a si e, rapidamente, deu uma olhada no ambiente para ver se alguém tinha reparado na sua atitude, até certo, ridícula. Se alguém reparou, ele não viu.

Ficção provável de ser verdadeira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para o topo